ARTIGO - Em Busca da Yodalândia

Coaching e Mentoring são ferramentas muito populares hoje, mas exigem alguns cuidados de quem pretende utilizá-las. 

Qual o benefício de um coach ou mentor para o sucesso?

Como a experiência de uma outra pessoa pode realmente ajudar a atingir os objetivos do seu empreendimento ou departamento?

Quais são os limites do seu talento para garantir isso sozinho?

Existe um momento certo para pedir ajuda?

As perguntas acima não são fáceis de responder e não há caminho sem risco para elas. Mesmo assim, muitas pessoas se aventuram na busca pelo desenvolvimento pessoal e profissional sem pensar nelas. 

Recentemente, presenciei um desabafo em um fórum sobre startups e empreendedorismo. A participante disse - com todas as letras e sem nenhum pudor - o quanto estava cheia de ver pseudo-gurus oferecendo seus elixires para produzir uma empresa unicórnio ou subir a escadaria para o topo do mundo com menos esforço. Segundo ela, muitos deles sequer tentaram abrir um negócio ou tiveram resultados relevantes. O post gerou uma avalanche de respostas de apoio, igualmente destemperadas, mostrando o quanto esse mercado que oferece o Mestre Yoda a preços de ocasião incomoda e é ridículo. Mas isso também reforça uma das leis da economia: só há oferta onde há procura. Voltemos às perguntas do início.

O verdadeiro benefício do Mestre Yoda


O aprendizado é um fenômeno estranho. As perguntas que fazem buscar nossas próprias respostas ajudam mais do que conselhos ou fórmulas mágicas. Está aí o princípio do coaching e da mentoria. Qualquer um que esteja no papel de Lucky Skywalker deve compreender isso. Além do mais, experiência é algo bastante relativo. Tomada como verdade absoluta, ela pode fazer o peru que vai virar ceia de Natal pensar que seus donos gostam dele, que nunca tentariam matá-lo. Essa metáfora foi muito bem explorada no livro "A Lógica do Cisne Negro". Mas a experiência e a bagagem, fruto de anos e anos de erros sucessivos, mais do que de acertos, pode ajudar os mais novos a encontrar saídas inovadoras. 

A experiência como apoio, não como certeza


As pessoas buscam auxílio porque sentem que seus recursos se esgotaram. Isso é humano, muito natural. Mas é importante que os dois lados saibam e deixem bem claro que não há certeza de nada nessa área. O objetivo de qualquer aprendizado deveria sempre ser dar o próximo passo, não sair na capa da revista Forbes como o executivo do século. Um grande sucesso é o resultado de muito suor, esforço e aprendizado, acumulados ao longo de vários pequenos passos. E sorte entra na equação sim, como provou Malcom Gladwell em seu livro "Outliers - Fora de Série". Ter alguém que possa nos ajudar a enxergar por uma ótica diferente, compartilhar histórias ou simplesmente nos fazer perceber os pontos cegos ajuda bastante. E, convenhamos, para fazer isso, o Yoda de plantão tem que saber ouvir e ter paciência, além de aceitar o fato de que a decisão não é dele. Exige equilíbrio emocional e uma alta dose de autoestima. Não é para qualquer candidato a Jedi.

Os limites do talento


Os mais próximos sabem o quanto admiro e respeito a abordagem sobre talentos da Gallup. Desde que a descobri, em meados de 2008, não me canso de divulgar e utilizar seus conceitos e ideias. Uma das grandes sacadas dessa teoria é mostrar que todos temos áreas de talento e de não talento. O sucesso vem de conhecermos e valorizar as primeiras e aprender a conviver e desenvolver habilidades no mínimo aceitáveis na segunda. O estudo mostra também que líderes excepcionais sabem desenvolver e valorizar os pontos fortes de seus liderados, ao invés de criticar o que lhes falta. Aceitar limitações, mas dar ênfase máxima aos talentos e vocações, onde cada um tem seu melhor desempenho, é o verdadeiro caminho para libertar o potencial das pessoas.  
O filme "O Estagiário" é um bom exemplo disso tudo que escrevi acima. Assisti achando que já sabia o final e me enganei. Isso demonstra que também não estou vacinado contra os engodos da Yodalâdia. Saber admitir um erro já é um bom começo. 

Bem no inicio da minha carreira fui entrevistado por um conhecido e bem-sucedido consultor. Lembro bem do seu olhar, da sua calma e do seu tom respeitoso durante toda a entrevista, apesar da minha pouca idade e experiência. Ao final ele perguntou se eu sabia a diferença entre um homem inteligente é um homem sábio. Eu disse que não, e ele então me explicou: "o inteligente aprende com os próprios erros e o sábio com os dos outros". 

 

Ainda bem que eu disse que não sabia.

Marcelo Egéa

Sócio-Diretor

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