ARTIGO - Comunicação: o princípio de tudo

Para comunicar bem precisamos aprofundar o processo de autoconhecimento.

Comunicamos para compartilhar o mundo que nos cerca

 

Não estamos sozinhos neste mundo. Desde que nascemos, estamos constantemente cercados de outras pessoas que, como nós, vivem e trabalham em busca de sobrevivência e realização pessoal. Nossos antepassados deram um salto enorme no momento que desenvolveram um sistema de símbolos e códigos, permitindo a união de esforços e a vida comunitária.  

 

Basicamente usamos a comunicação para expressar ideias, pensamentos e sentimentos, ou seja, nossa imaginação. Através dela damos  sentido ao mundo e à nossa experiência sobre ele. Apesar de imaginarmos que todos compartilham do mesmo mundo, o que de fato acontece é que cada um de nós constrói o seu, que tem sentido para nós e proporciona equilíbrio e eficiência, facilitando a vida prática. 

 

Quando nos comunicamos estamos compartilhando nosso mundo, tentando dar ordem no que nos rodeia, para que possamos viver e operar no mesmo espaço com outras pessoas. A comunicação não é feita somente de fatos, mas também (e principalmente) de percepção e expressão de emoções, crenças e valores. 

 

Ao contrário do que possa parecer, isso não torna nosso mundo uma Babel: ao trocarmos, somos capazes de conhecer novas formas de operar e interpretar os eventos, nos permitindo inovar e evoluir. 

 

Mesmo assim, é verdade que a confusão às vezes se instala: não conseguimos compreender os códigos e o significado de alguns que nos cercam, dificultando nossa interação e colaboração em grupo.  

 

Os problemas da comunicação 

 

As mensagens raramente são  neutras. Algumas mensagens são claras e óbvias; outras são obscuras e estranhas. Frequentemente a comunicação envolve a troca de mais de uma mensagem ao mesmo tempo porque e a comunicação, usualmente, tem lugar através de múltiplos canais. As pessoas podem se comunicar através da fala e dos gestos, da comunicação verbal e não-verbal. Nosso conhecimento, nossas atitudes e nossa base cultural afetam a maneira como nos comunicamos com os outros. 

 

Muitas pessoas acreditam que, por termos uma personalidade que nos identifica, é algo desonesto adaptar nosso comportamento a situações diferentes. Não é bem assim: apresentamos-nos aos outros, verbalmente ou não, em diferentes personalidades. Isto ocorre de acordo com a situação em que nos encontramos. Adotamos o personagem necessário à nossa apresentação. Diferentes representações em diferentes situações exigem diferentes persongens. A habilidade de passar de uma personalidade a outra, escolhendo a mais apropriada, é uma parte importante para tornar efetiva a comunicação. Necessitamos mudar a cada momento e a cada situação. A ideia do personagem está ligada ao papel representado. Papéis existem nos grupos. As pessoas desempenham papéis como membros de grupo – família, amigos ou o trabalho. O papel representado é um ato de apresentação. Ele é o próprio ato de comunicação. 

 

Quem somos, que papéis desempenhamos e a comunicação

 

A maneira como nos vemos afeta, e muito, a comunicação. Isso acontece por que aquele mundo que construímos tem seu epicentro naquilo que chamamos de “eu”. Não existe “o outro” sem o “eu”.  Por isso, todo esforço em busca de melhorarmos nossa comunicação (ou compartilhar nosso mundo), começa com o conhecimento de nós mesmos. 

 

Há dois aspectos através dos quais percebemos a nós mesmos: autoestima e autoimagem. 

 

Autoimagem: é aquilo que  pensamos que somos. Essa autoimagem inclui uma noção do próprio corpo e também de nossa personalidade e é desenvolvida através de nossas relações com os outros. As atitudes dos outros a nosso respeito afetam a nossa autoimagem. 

 

Autoestima: estima é a avaliação que fazemos sobre aquilo que pensamos que somos, sobre nós mesmos. A imagem que temos de nossa pessoa constitui a autoestima que, por sua vez, afeta a nossa autoimagem.   

 

O nosso mundo particular repousa em 3 importantes pontos: 

 

  • O que pensamos de nós mesmos;

  • O que pensamos sobre os outros;

  • O que acreditamos que os outros pensam sobre nós

 

Autoimagem e autoestima estão constantemente realimentando-se e modificando-se entre si. Ambos são afetados pelo meio, pelo  feedback que recebemos dos outros que nos cercam. As informações que recebemos de alguns pesam mais do que as de outros, mas todas elas nos afetam, reforçando ou modificando a imagem e a estima que temos de nós mesmos. 

 

A questão é: quão precisamente percebemos ou não percebemos as pessoas e recebemos seus feedbacks? Muitas vezes não vemos as pessoas como elas realmente são nem compreendemos exatamente o que querem dizer ou mostrar. Isto pode ser uma falha de nossa percepção. Formamos uma opinião sobre determinada pessoa julgando que ela seja aquilo que dela pensamos. Também, pela percepção, podemos compreender o estado emocional dos outros. Notamos sinais, como piscar de olhos, a tensão na face, postura do corpo, enfim, fatores que podem nos sinalizar seu estado emocional que pode afetar a maneira como ela se comunica conosco e como vai receber nossa comunicação.  

 

Fazendo presunções sobre os outros acreditamos no que nossos olhos estão vendo e deixamos que a presunção conclua uma verdade através de um detalhe que nos pareça marcante. Nossa percepção pode estar baseada em “rótulos”,  estereótipos baseados nas aparências. 

 

Se não existe realidade e só percepção, em quem confiar?

 

Para viver de maneira saudável, é preciso compreender tudo isso como um processo dinâmico e estar disposto a mudar de opinião e aprender com as experiências. Claro que existe um mundo à nossa volta, e podemos acreditar nele, afinal o compartilhamos com um punhado de outras pessoas.  

 

Porém, quando nosso jeito de ser começa a provocar problemas para nós, dificultando nossa interação, talvez esteja havendo falta de sintonia entre “os mundos” que compartilhamos. 

 

Abrir-se para uma constante avaliação e checagem, sem ver nisso uma ameaça, pode nos tornar mais felizes, produtivos e saudáveis. Como disse F. Scott Fitzgerald, “o teste de uma inteligência de primeira classe é a capacidade de manter ao mesmo tempo na mente duas ideias opostas e ainda conservar a capacidade de funcionar”.  

Marcelo Egéa

Sócio-Diretor

SerTotal - www.sertotal.com 

Este artigo é propriedade da SerTotal.
Você pode reproduzi-lo, desde que mencione a autoria e insira o endereço do nosso site. 

Conheça nossas soluções em programas para Autoconhecimento e Eficácia Pessoal. 

Peça mais informações sem compromisso clicando AQUI.

São Paulo | Brasil 

2018 SerTotal