ARTIGO - A cauda longa das carreiras

Uma metáfora para explicar por que o medo de estar velho aos 35 anos é infundado. 

 

Questionando o envelhecimento precoce de uma geração

 

O meu ponto de vista é muito simples: do mesmo modo que a visão tradicional de comércio foi radicalmente modificada em função das  novas tecnologias (entre elas a Internet), a nossa forma de encarar as carreiras também deveria ser repensada. Nunca o mundo ofereceu tantas oportunidades para os profissionais competentes e talentosos. Para aproveitá-las, precisamos aprender um jeito novo de enxergar carreira e vida profissional.

 

Tenho escutado muitas vezes nos últimos tempos, ao interagir com jovens em carreiras bem-sucedidas dentro de empresas, sobre o medo de estar velho aos 35 anos. É fato que existem muitos casos de profissionais que atingem postos de alto escalão antes dos 40 anos. Acabamos de assistir a eleição de um novo presidente francês com 39 anos.  A mídia nos bombardeia com estes casos, fazendo alguns profissionais com mais idade ter vergonha. Aliás, os padrões divulgados pela mídia para os supostamente "bem-sucedidos" envolvem MBAs em escolas estrangeiras, falar mais de 3 línguas (fora o português...) entre outras exigências. 

 

Qualquer que sejam as razões para isso, a concorrência crescente e a busca pela melhor performance estão no centro da equação. Poderíamos até questionar se pessoas muito jovens têm maturidade suficiente para assumir posições estratégicas. Mas não acredito que isso reverteria o processo. 

 

É bom lembrar que, somado a isso, temos um enxugamento e reestruturação das empresas, com redução das posições de direção.

 

Mas, onde entra a tal Cauda Longa?

 

Um universo de oportunidades, aberto pela tecnologia e ferramentas online, já seria um bom começo para enxergarmos a longa lista de alternativas para quem deseja continuar crescendo na carreira. 

 

Mas mesmo procurar dentro de sua própria empresa oportunidades inexploradas, em áreas onde suas habilidades podem ser melhor aproveitadas e que ofereçam chances de crescimento mais rápido, pode ser um caminho interessante. Você certamente conhece mais da empresa em que está hoje do que sobre qualquer outro que esteja lhe oferecendo uma chance. Mas podemos ir um pouco além. 

 

Querer ser um diretor (ou um vice-presidente, superintendente e que tais), tem impacto na remuneração, mas também representa um marco, um nível de exigência e de experiência de gestão atraente em si mesma. Não acredito que apenas a questão remuneração esteja em jogo, sempre. É claro que as funções de mais alto escalão pagam mais, mas se o que está em discussão não é apenas isto, e sim a experiência profissional e o desafio que esta mudança representa. Basta olhar em volta para perceber que a decisão das empresas em enxugar seus postos estratégicos é irreversível, mas certamente as funções e demandas  estratégicas do negócio continuam lá, só que distribuídas por outros cargos. 

 

Hoje, fruto da reorganização das empresas em estruturas mais modernas, há um envolvimento maior de todos os níveis na gestão, abrindo espaço para novas carreiras e experiências. Um exemplo atual é o que vem ocorrendo com a posição de Gerente de Projetos.

 

Por isso, aconselho todos a desafiar a ideia de estar velho aos 35. Todas as estatísticas apontam para uma expectativa  de vida crescente nas próximas gerações. É provável que a geração que entra agora nas empresas tenha múltiplas carreiras, com mais de um processo  de formação acadêmica, experiência técnica e gerencial durante uma vida. 

 

Quando se sentir velho aos 35, pense na Cauda Longa

 

  • Quais sãos seus talentos? Em que atividades você supera a média e nas quais trabalhar é um prazer?

  • O que mais importa neste momento:  ganhar mais ou o desafio de gerenciar em nível mais estratégico?

  • O que de fato é ser diretor nesta empresa que você está analisando: é um cargo que oferece o que você deseja ou é apenas “de fachada”?

  • Aonde, nesta empresa ou no mercado, você pode encontrar o que deseja?

  • Alguém está disposto a lhe dar esta chance, seja ela de ganhar mais ou de se testar em posições mais estratégicas, não importando o título do cargo?

Valorize-se: pense no que você tem de melhor para trocar, que são o seu potencial, energia e competências. Além disso, busque incessantemente fazer o que você gosta. Apesar de destacar sempre a questão "sobrevivência", é preciso um esforço genuíno de identificar e valorizar nossas competências naturais, que nos fazem sentir orgulho e prazer pelo produto e contexto do nosso trabalho. Fazer o que gostamos facilita muito a tarefa de nos mantermos competitivos, felizes e seguros, num mundo que oferece tantos desafios e obstáculos. 

Marcelo Egéa

Sócio-Diretor

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